Principais erros do MEI ao contratar funcionário e como evitá-los | Kontaê Blog
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Principais erros do MEI ao contratar funcionário e como evitá-los
Veja os principais erros do MEI ao contratar funcionário, desde salário e eSocial até folha, DAE, férias e jornada, e aprenda como evitar problemas trabalhistas e financeiros.
Por Kontaê
Publicado em 29/03/2026
Atualizado em 29/03/2026
Principais erros do MEI ao contratar funcionário e como evitá-los
Contratar o primeiro funcionário costuma ser um divisor de águas para o MEI.
Em muitos casos, é o momento em que o negócio deixa de depender só do braço do dono e começa a ganhar escala. Só que também é o momento em que muita gente descobre, do pior jeito, que contratar não é só combinar salário e pedir para a pessoa começar na segunda-feira.
O erro clássico do pequeno empreendedor é este: tratar a contratação como uma extensão da rotina informal do negócio. Não é.
Se uma peça falha, a bagunça costuma vir em sequência.
Neste artigo, você vai ver os principais erros do MEI ao contratar funcionário e, mais importante, como evitar cada um deles sem cair em enrolação de blog genérico.
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O maior erro de todos: achar que contratar é simples demais
Antes de entrar nos erros específicos, vale deixar uma verdade clara:
contratar no MEI é simples, mas não é solto
O regime é mais enxuto, sim. Mas isso não significa que o empreendedor possa improvisar.
O MEI continua tendo que respeitar regras trabalhistas, previdenciárias e operacionais básicas. A diferença é que o sistema foi desenhado para ser menos burocrático do que em empresas maiores. Só isso.
Quem confunde “simplificado” com “pode fazer de qualquer jeito” normalmente aprende pela via cara.
Erro 1: achar que o MEI pode contratar mais de 1 funcionário
Esse é um dos erros mais básicos e mais perigosos.
O MEI não pode montar equipe normal de empresa maior dentro do mesmo enquadramento. A regra é objetiva: o MEI pode contratar apenas 1 empregado.
Isso parece óbvio, mas muita gente escorrega em situações como:
registrar 1 pessoa e manter outra trabalhando informalmente;
achar que pode ter 1 empregado e outro “fixo sem registro”;
usar o crescimento da operação sem rever o enquadramento do negócio.
Como evitar
Faça esta pergunta antes de contratar:
meu negócio ainda cabe no MEI?
Se a operação já está pedindo mais de uma pessoa fixa, talvez o erro não esteja na contratação. Talvez esteja em insistir em um enquadramento que já ficou pequeno.
Erro 2: pagar salário mínimo sem conferir o piso da categoria
Esse erro aparece toda hora.
Tem muito MEI que pensa assim:
“Sou pequeno, então posso pagar só o salário mínimo.”
Não é assim que funciona.
O empregado do MEI deve receber:
1 salário mínimo, ou
o piso da categoria, quando houver.
Na prática, se a função estiver coberta por convenção coletiva ou outro parâmetro válido com piso superior ao mínimo, é esse valor que manda.
Como evitar
Antes de definir salário, descubra:
a função real do empregado;
se existe convenção coletiva aplicável;
se existe piso da categoria;
e se há alguma regra regional relevante.
O erro aqui quase nunca é “matemático”. É preguiça de checar o básico.
Erro 3: admitir o funcionário sem registrar corretamente no eSocial
Esse é o tipo de erro que mistura pressa, improviso e fé em planilha.
Hoje a admissão do empregado do MEI gira em torno do eSocial. Não é mais aquela lógica antiga de resolver tudo em papel e “ver depois”.
Quando o MEI deixa para informar a admissão depois que a pessoa já começou a trabalhar, está brincando com um risco desnecessário.
Como evitar
Antes do primeiro dia de trabalho, deixe alinhado:
CPF e dados corretos do empregado;
função;
salário;
jornada;
data de admissão;
contrato;
e envio da admissão no eSocial.
Se a pessoa já começou e o sistema ainda não foi atualizado, você já está atrasado.
Erro 4: contratar sem pedir os documentos essenciais
Outro clássico.
Tem MEI que contrata na base do “me manda depois”. Depois nunca chega, ou chega errado.
Na prática, a admissão exige uma base documental e cadastral mínima. Não adianta querer operar com dado incompleto ou divergente.
O que costuma faltar
CPF correto;
identidade;
data de nascimento batendo com a base oficial;
declaração de dependentes, quando houver;
declaração de vale-transporte;
e documentos internos da admissão.
Como evitar
Faça um checklist antes de registrar:
CPF
documento de identidade
nome completo sem divergência
data de nascimento correta
dados bancários, se a rotina exigir
declaração de dependentes, se houver
declaração de solicitação ou recusa de vale-transporte
Documentação incompleta é uma forma sofisticada de dizer “comecei errado”.
Erro 5: ignorar exame admissional e saúde ocupacional
Esse erro é mais comum do que deveria.
Muita gente acha que, por ser MEI, o exame admissional seria “coisa de empresa maior”. Não é.
Mesmo com simplificações em saúde e segurança do trabalho, o MEI com empregado continua obrigado a realizar exame médico admissional, além de periódicos e demissionais nos termos aplicáveis.
Como evitar
Antes de a pessoa começar:
agende o exame admissional;
guarde o ASO e a documentação correlata;
não trate saúde ocupacional como detalhe decorativo.
Aqui não tem glamour nenhum. Tem prevenção e obrigação.
Erro 6: não fazer contrato de trabalho claro
Tem empreendedor que acha contrato exagero.
Depois, quando surge dúvida sobre jornada, função, salário, experiência, vale-transporte ou rotina de trabalho, ele descobre que exagero era não ter documentado nada.
Como evitar
Formalize a contratação com um contrato simples, mas bem feito, deixando claros:
cargo ou função;
salário;
jornada;
data de início;
local de trabalho;
regras básicas do vínculo.
Contrato não evita todo problema. Mas problema sem contrato costuma ser pior.
Erro 7: esquecer que contratar gera folha todo mês
Esse é um erro mental, não técnico.
O MEI contrata achando no salário do mês e esquece que, a partir dali, nasce uma rotina:
folha de pagamento;
fechamento da competência;
emissão da DAE;
recolhimento no prazo;
controle de férias;
13º;
afastamentos;
retorno;
desligamento, quando houver.
A contratação não termina na admissão. Na verdade, ela começa ali.
Como evitar
Depois de contratar, organize uma rotina mensal com datas fixas para:
conferir a folha;
encerrar a competência;
emitir a DAE;
pagar no prazo;
revisar pendências trabalhistas.
O vencimento da DAE não vai esperar você “lembrar depois”.
Erro 8: atrasar ou errar o pagamento da DAE
Esse aqui é simples e brutal.
Se o MEI tem empregado, o recolhimento mensal ligado à folha passa pela DAE do eSocial. Quando isso atrasa, você cria problema trabalhista, previdenciário e financeiro de uma vez só.
Como evitar
Crie uma rotina fixa todo mês:
revisar a remuneração;
fechar a folha;
emitir a DAE;
pagar até o vencimento.
Nada de deixar isso na cabeça. Cabeça esquece. Agenda não.
Erro 9: calcular o custo do funcionário olhando só o salário
Esse é um dos erros mais caros.
O empreendedor pensa assim:
“Vou pagar R$ X por mês.”
Só que o custo do funcionário não termina no salário. Existe toda uma estrutura ao redor:
FGTS;
INSS patronal;
13º;
férias + 1/3;
vale-transporte, quando aplicável;
eventuais adicionais;
exames;
e a própria rotina operacional da folha.
A contratação que “cabia no caixa” olhando só o salário muitas vezes deixa de caber quando a conta é feita inteira.
Como evitar
Antes de contratar, projete pelo menos:
custo mensal de salário + encargos;
custo anual com 13º;
custo anual com férias;
impacto médio mensal provisionado.
É exatamente nesse ponto que a Kontaê ajuda muito o MEI: ela deixa mais fácil enxergar se a contratação cabe no caixa real, e não no entusiasmo da semana.
Erro 10: não provisionar férias e 13º
Esse merece destaque separado porque destrói caixa de empresa pequena.
Muita gente até lembra que férias e 13º existem, mas trata isso como “problema do futuro”. O futuro chega. E geralmente chega em mês ruim.
Como evitar
Em vez de olhar só o mês, pense assim:
quanto preciso separar por mês para 13º;
quanto preciso separar por mês para férias;
qual é o custo médio real desse empregado ao longo do ano.
Negócio pequeno que não provisiona vive apagando incêndio com boleto.
Erro 11: tratar jornada como acordo de boca
Esse é o tipo de erro que parece pequeno até virar discussão.
A jornada do empregado do MEI não existe no universo da “flexibilidade total”. Ela continua sujeita a regras de:
limite diário e semanal;
descanso semanal;
intervalo;
horas extras, quando houver;
adicional noturno, se aplicável.
Sem controle mínimo, a empresa perde a narrativa muito rápido.
Como evitar
Defina desde o início:
horário de entrada;
horário de saída;
intervalo;
dias trabalhados;
política para atrasos e horas extras.
E, principalmente, mantenha algum controle confiável da jornada.
Erro 12: esquecer direitos básicos porque “é só um empregado”
Esse pensamento é veneno.
O funcionário do MEI tem direitos básicos normais, como:
salário mínimo ou piso da categoria;
FGTS;
INSS;
férias + 1/3;
13º;
repouso semanal remunerado;
jornada regular;
horas extras, quando houver.
Achar que “como é só um funcionário” dá para relaxar nisso é o tipo de economia que sai cara.
Como evitar
Pense assim:
não é “só um funcionário”; é um vínculo formal de trabalho
Erro 13: registrar cargo genérico que não bate com a realidade
Outro clássico.
Para tentar simplificar, o MEI registra uma função vaga, mas no dia a dia a pessoa faz outra coisa totalmente diferente.
Isso pode gerar problema em pontos como:
piso da categoria;
jornada;
enquadramento;
e até discussão futura sobre a realidade da relação de trabalho.
Como evitar
Descreva a função como ela realmente é.
Não precisa inventar título chique. Precisa ser coerente.
Erro 14: misturar parente, ajudante informal e empregado registrado como se fosse tudo igual
Esse erro aparece muito em MEIs de serviço.
Exemplos:
esposa que “ajuda às vezes”;
filho que fica no caixa;
irmã que atende cliente quando precisa;
namorado que resolve a agenda sem regra nenhuma.
Quando o negócio cresce, essa mistura explode.
Como evitar
Separe bem as figuras:
ajuda informal de família;
prestação de serviço eventual;
estágio, se couber legalmente;
e empregado formal.
Quando tudo vira “uma ajuda”, a chance de bagunça trabalhista sobe.
Erro 15: crescer a operação sem rever o enquadramento do negócio
Esse é o erro-mãe.
O MEI começa pequeno, a demanda aumenta, entra funcionário, depois entra mais alguém informalmente, depois a rotina já parece a de uma empresa maior — mas o enquadramento continua parado.
Como evitar
Revise periodicamente se o negócio ainda faz sentido dentro do MEI.
Se a operação cresceu, a resposta talvez não seja “como esticar mais a corda?”. Talvez seja “hora de mudar de fase”.
Checklist prático para o MEI não errar na contratação
Antes de contratar, revise isto:
Regras básicas
posso ter só 1 empregado;
o salário deve respeitar mínimo ou piso da categoria;
preciso registrar corretamente no eSocial.
Admissão
documentos do empregado conferidos;
exame admissional feito;
contrato organizado;
função e jornada definidas.
Rotina mensal
folha em dia;
DAE emitida e paga no prazo;
provisão de férias e 13º;
controle básico de jornada.
Gestão financeira
custo real da contratação projetado;
caixa preparado para encargos e obrigações futuras.
FAQ sobre erros do MEI ao contratar funcionário
Qual é o erro mais comum do MEI ao contratar?
Um dos mais comuns é contratar olhando só o salário e ignorando toda a estrutura da folha, encargos e direitos trabalhistas.
O MEI pode contratar mais de 1 funcionário?
Não. O limite é de 1 empregado.
O MEI pode pagar sempre só o salário mínimo?
Não necessariamente. Se houver piso da categoria aplicável e maior que o mínimo, é ele que deve ser observado.
O exame admissional é obrigatório para o empregado do MEI?
Sim. O MEI continua obrigado a realizar exames médicos admissionais, além de periódicos e demissionais nas hipóteses cabíveis.
O empregado do MEI precisa ser registrado no eSocial?
Sim. A admissão e a folha passam pelo eSocial.
A DAE do MEI com empregado vence quando?
O recolhimento unificado da folha vence até o dia 20 do mês seguinte.
Vale a pena contratar sendo MEI?
Pode valer muito a pena, desde que a contratação seja planejada e o negócio tenha caixa e estrutura para sustentar o vínculo corretamente.
Conclusão
O problema do MEI ao contratar funcionário raramente está em “não saber de nada”. Normalmente está em saber por alto e achar que dá para improvisar o resto.
Os erros mais comuns giram sempre em torno dos mesmos pontos:
contratar além do que o MEI permite;
pagar errado;
registrar mal;
ignorar eSocial;
esquecer exames;
tratar folha como detalhe;
e não calcular o custo real da contratação.
A boa notícia é que quase todos esses erros são evitáveis.
Quando o MEI trata a contratação com método — e não com pressa — o primeiro funcionário pode ser um passo de crescimento. Quando trata no improviso, o que era para ajudar vira peso.
E empresa pequena sente peso mal calculado muito mais rápido do que imagina.